TRINTA ANOS
DE DIÁLOGO
E SILÊNCIO
Júlia Fernandes
AUDIR | Maio 2026
“Trinta anos de diálogo e silêncio” reúne um percurso artístico marcado pela escuta do tempo, da memória e da transformação.
Entre a figura e a paisagem, entre o íntimo e o coletivo, as obras constroem um território sensível onde o feminino emerge como presença, gesto e permanência.
Ao longo de mais de três décadas, a pintura afirma-se como lugar de reflexão e escuta — um espaço onde o visível se abre ao que permanece por dizer.
A exposição organiza-se em três núcleos, propondo um percurso progressivo entre o diálogo e o silêncio:
Singularidade do plural
Um lugar no feminino
Metamorfoses da paisagem
Comece pelo Diálogo em Singularidade do Plural
O percurso inicia-se no coletivo.
Aqui, as obras constroem um território de encontros, diferenças e relações humanas.
O plural nasce da convivência entre singularidades e cada figura carrega em si uma história singular, mas nunca isolada. O rosto e o corpo surgem como variações de um mesmo gesto, fragmentos de uma identidade construída na relação com o outro.
O rosto emerge como interrupção do coletivo, inaugurando a possibilidade de relação e reconhecimento.
A identidade constrói-se no encontro, onde a singularidade se afirma dentro da relação.
Um lugar no feminino é onde o diálogo se assume em silêncio.
O feminino surge como presença sensível: corpo, memória, delicadeza e resistência.
As obras habitam um espaço de interioridade e silêncio. Há uma dimensão íntima, mas também universal, que as atravessa.
Neste lugar, o tempo abranda e a pintura torna-se silêncio, escuta e permanência.
O vivido permanece. O corpo guarda memórias e o silêncio prolonga o diálogo interior.
Metamorfoses da paisagem
A paisagem deixa de ser apenas lugar exterior para se tornar extensão do sentir.
Transformada pela memória e pela emoção, dissolve fronteiras entre o real e o imaginado. As formas expandem-se, fragmentam-se e reorganizam-se.
A pintura regista não um lugar fixo, mas o processo contínuo da sua transformação.
Do silêncio da paisagem nasce a memória do habitar.
Progressivamente, emergem casas e aldeias como vestígios da presença humana, introduzindo a ideia de habitar, permanência e diálogo. Entre o silêncio da matéria e o diálogo da memória, a pintura revela a paisagem como experiência interior e afetiva.
A exposição começa no diálogo das presenças e dos encontros na Singularidade do Plural, atravessa o silêncio e a interioridade em Um lugar no feminino e regressa, em Metamorfoses da paisagem, a um novo diálogo feito de memória, lugares e afetos. Entre o que se revela e o que permanece invisível, a pintura torna-se espaço de escuta e transformação.